Forte Príncipe da Beira, monumento histórico de Rondônia
Um dos mais
importantes monumentos históricos de Rondônia, o Real Forte Príncipe da Beira é
um dos atrativos turísticos preferidos por pessoas que visitam o estado, apesar
de sua distância do eixo da rodovia 364. O acesso terrestre é feito através da
BR-429, que vai de Presidente Médici até Costa Marques, no rio Guaporé. O Forte
do Príncipe da Beira é considerado uma das maiores obras da engenharia militar
portuguesa do período colonial, tanto pela sua edificação como pela sua
fundamental localização estratégica. O Forte está situado na margem direita do
rio Guaporé, no município de Costa Marques, em Rondônia, na fronteira com a
Bolívia.
Em 1773, o
Capitão-General Luis de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres viajou descendo o
rio Guaporé à procura de um local na sua margem direita para construção de um
forte, em substituição ao de Nossa Senhora da Conceição, que havia sido
destruído por uma enchente em 1771. Ele contou com o auxílio técnico do
Ajudante de Infantaria em exercício de Engenheiro, Domingos Sambocetti, para
encontrar um local que atendesse os requisitos para construção do novo forte,
que viria a ser o Forte Real do Príncipe da Beira, situando-se a cerca de dois
quilômetros da fortificação anterior (o da Conceição).
Enfrentando
a censura do Primeiro Ministro Pombal (Sebastião José de Carvalho e Melo, que
ficou conhecido como Marquês de Pombal), às empreitadas administrativas e aos
altos custos do empreendimento, Luis de Albuquerque acreditava que todos os
sacrifícios valeriam a pena diante da importância política da obra. Em 20 de
junho de 1776, os alicerces do novo forte receberam a pedra fundamental
registrada em ata histórica. Durante as obras de construção do forte, o
engenheiro Sambocetti morreu em decorrência da malária, sendo então substituído
pelo Capitão de Engenheiros Ricardo Franco de Almeida Serra.
O forte foi
assentado sobre a Serra dos Parecis, paralelo ao rio Guaporé. O grandioso
projeto de Sambocetti previa uma fortificação em plano quadrangular, amuralhado
em pedra de cantaria com majestoso portão na frente norte e com baluartes nos
ângulos consagrados à Nossa Senhora da Conceição, Santa Bárbara, Santo Antonio
de Pádua e São José Avelino, seguindo as normas da arquitetura militar da
época, inspirado no sistema elaborado por Vauban, arquiteto militar francês
(1633-1707). Sobre o terrapleno, há quatorze grandes edifícios de pedra lavada
ou pedra canga e argamassa, que abrigavam os quartéis da guarnição, hospital,
capela, armazéns, casa do governador, cisterna, paiol subterrâneo. A porta
principal tinha uma ponte levadiça sobre fosso seco e era protegida por revelim
(unidade de medida para superfícies agrárias que corresponde a 100 m2).
Depois de
consolidada a presença portuguesa na região, o Forte perdeu um pouco da sua
função estratégica, mas continuou como testemunho de uma época e uma sentinela
naquela parte do Brasil. Com o abandono progressivo, a vegetação tomou conta de
suas dependências ameaçando a integridade da edificação. Já no século XX, em 6
de julho de 1913, o Forte foi visitado pelo Almirante José Carlos de Carvalho e
outras autoridades que lavraram ata de sua visita, tendo deliberado que o
monumento histórico ficaria sob a guarda do Estado de Mato Grosso até que o
Governo Federal resolvesse sobre sua administração definitiva, determinando
também a remoção de peças de artilharia e outros objetos ali ainda
existentes, para o Museu Nacional do Rio
de Janeiro.
Em 1914, o
Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon também visitou o Forte e ordenou a limpeza
da mata que invadia suas dependências. Porém, só em 1930, uma nova expedição do
Exército brasileiro voltou a marcar presença no local. Finalmente em 1950, o
Forte foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Com
informações da Fundaj e foto de Marcelo Gladson

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