Rondônia e o dia da consciência negra
Por Júlio Olivar
Hoje é um dia de tomar consciência do quão Rondônia deve ao povo
afrodescendente. Pensemos nas nossas raízes: os barbadianos da Estrada de
Ferro Madeira-Mamoré, os quilombolas do Vale do Guaporé, a heroína Tereza de
Benguela, a Irmandade do Divino (que ainda hoje realiza a monumental procissão,
uma tradição das mais remotas e significativas da Amazônia), os caboclos e
mamelucos que povoaram Rondônia desde os ciclos da borracha. Tudo isso somos
nós, apesar de tantos acharem que são "pioneiros" por comporem a
odisseia da ocupação esquecendo-se de várias páginas da nossa cultura e
verdadeira história. Pensemos também nos negros de hoje que - aos poucos e
com muitas lutas - ocupam o merecido espaço na sociedade. A eles, todos os
vivas! Tantos, porém, ainda vivem às margens (a maioria dos jovens
encarcerados é negra). A segregação e o olhar de cima para baixo ainda
existem, sim. E nos aviltam! Pensemos! Nos afetemos com isso! E a única
saída para a plena libertação dos negros das amarras todas do preconceito e do
apartheid é a educação redentora. Educação para eles e para quem os
oprime. Para todos!
Júlio Olivar
é escritor, presidente da Academia Rondoniense de Letras e superintendente
estadual de Turismo em Rondônia.

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